Marca Ladeh PUC-Rio

Instruções para a Dinâmica

Ficha resposta dos grupos

Cartela para fazer as opções de que conteúdo se relacionava com que elemento da cultura Maori

Verso da cartela com as instruções para a Dinâmica

Semana Pedagógica do Colégio Teresiano

2009 - Palestra-jogo sobre Lyotard

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Anualmente o colégio Teresiano faz um evento no início do ano que se chama a semana pedagógica.  No ano de 2009 as Profas. Heloisa e Elaine me convidaram a realizar uma palestra a partir do filme ‘A Encantadora de Baleias’ de Whale Rider.  

Ao invés e uma palestra, propus uma dinâmica que permitisse à narrativa do filme uma experiência de continuidade – mas que tivesse como objetivo o debate das questões em torno da produção do conhecimento. Foi proposto então um autor – Jean François Lyotard – e um jogo. O formato do jogo foi baseado na teoria sobre linguagem de Lyotard. 

O autor forja o termo “Condição Pós-moderna” (ao invés de pós-modernidade apenas) baseado na reflexão na idéia da linguagem como fenômeno – que está por trás de uma nova forma de cultura, tão plástica e lúdica como um jogo.  

Os conceitos escolhidos para organizar o jogo foram aqueles que traziam a dimensão lúdica da linguagem que aparece sobre vários aspectos para Lyotard. Na dinâmica, era fundamental relacionar esses conceitos com aspectos da cultura Maorí mencionados no filme. Segue então os principais aspectos desenvolvidos (para maior informações sobre as dinâmicas vejam os arquivos em anexo. 

- A existência da regra, sem a qual não existe jogo nem linguagem. Aí já estão poder de propagação ancestral da linguagem, que precisa ser explicitado, valorizado e aceito. Não há ruptura moderna que vença o amálgama histórico da linguagem – essa é a grande angústia apontada pela pós-modernidade.  E esse filme começa trazendo a lenda de Paikea como uma regra dos jogos que seriam vividos na história

- Daí surge a noção de embate tão típica do jogo, aspecto inexorável de uma terceira condição trazida, o coletivo, a coletividade que não pode ser mais vista com uma ingenuidade, mas sim com a lucidez de sua vocação entrópica.  Esse coletivo que gera riscos e potencialidade aprece na cultura Maori na preparação para a batalha HAKA e no vínculo social apresentado no Reiputá 

-  Esses aspectos do jogo que vão sendo trazidos por Lyotard baseado nas obras de outros autores como Wittigenstein, acabam revelando na cultura sua plasticidade que na verdade remete a canoa de guerra enfeitada a WAKA TAUA do final do filme.  Canoa que originariamente era usada em guerras e que nos festejos tem o papel de cortejo.

- Chegamos então a um dilema para a condição pós-moderna que parece apontar para um relativismo total, onde a linguagem é o fenômeno e não existe a realidade que rege um sentido ético, a possibilidade de uma ideologia.  Vários autores pós-modernos mais apocalípticos enxergam assim, mas Lyotard procura encontrar o que ele chama de uma nova ideologia, uma nova ética, que não pode mais ser exatamente a mesma de outras épocas outras histórias, mas que pode ser pensada.  Como é complexa essa reflexão e precisa de mais tempo para ser aprofundada, o HONGI, cumprimento Maori serve de metáfora agora para essa possibilidade de fazer duas coisas que parecem antagônicas ao mesmo tempo.  Força e afeto no cumprimento e individualidade e coletividade ética – simultaneamente.

- E enxergando na linguagem não um caminho de fragmentação absoluta, mas também um suporte pra um sentido ético que ele propõe outro desafio, pensar a linguagem na constituição da subjetividade – um indivíduo feito de linguagem, ao invés de um indivíduo que apenas a usa como instrumento – exercício aproximado no jogo a experiência dos Maoris com a TAIAHA – onde se fala que o instrumento deve ser tornar o usuário. 

- Essa dimensão da subjetividade pode ser assustadora para a onipotência do ego, é aí que entra o POROPORAQUE, nos lembrando que se colocamos o sujeito como uma constituição da linguagem, como eternizá-lo apesar da morte física?  A separação proposta pela morte poderá ser uma separação disso que nos define?  Diversos autores pós-modernos vão falar dessa representação da morte como um desafio para a condição pós-moderna – da própria insuficiência de um pensamento místico ou religioso.

- Por último chegamos a escola Maorí, a WHTIRIA, que se coloca como lugar do desafio. Como colocar lá a vivência prática dessas questões teóricas? A condição Pós-moderna de Lyotard cita  os golpes que a humanidade levou em suas crenças – a terra ser redonda, a terra girar em torno do sol, o tempo ser relativo, a noção de inconsciente, o redimensionamento da loucura -  e a dificuldade da sociedade assimilar essas revelações que mexem em sua tradição, sua cultura – mas que olhando para o passado, podemos crê que não as destrói,as transforma.  Sendo assim como colocar na escola em prática essas questões debatidas no filme, na obra de Lyotard e no jogo.

 

Ficha técnica

 

Proponentes e organizadoras do evento:

Elaine Deccache Porto e Albuquerque e  Heloisa Beatriz Protásio

Concepção, coordenação e aplicação da dinâmica:

Nilton G. Gamba Junior

Pesquisadores:

Miguel Carvalho e Eliane Garcia

Produção:

Cláudio Bittencourt

 

Parceiros

Documentos

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Vídeos

Palestra-jogo sobre Lyotard



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