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Programação Infantil – 7ª Primavera dos Livros

2006 - Oficina de experiência narrativa

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A 7ª Primavera dos Livros 2007 foi realizada no Museu da República, na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 30 de novembro, 1º e 2 de dezembro de 2007, das 10h às 20h. O LaDeH foi convidado para organizar a programação paralela voltada para o público infantil. Havia duas diretrizes básicas nessa programação: se constituir um conjunto de atividades lúdicas para crianças que variavam de 4 até 12 anos de idade e ser afim com os três temas do evento: a leitura (tema de todas as feiras); Monteiro Lobato e ecologia (autor e conteúdo escolhido como tema para daquele ano).

A Primavera dos Livros, promovida pela Liga Brasileira de Editoras (LIBRE), reúne desde 2001 editoras de diversos estados brasileiros. O evento é composto de duas frentes: o Fórum de Artes, Ciência e Cultura e uma feira de livros, tendo como objetivo permitir que os participantes tenham acesso ao universo do livro, desde a sua criação até a sua produção.

O evento é promovido anualmente, desde 2001 e reúne editoras de diversos estados brasileiros como: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal. É composta de duas frentes: o Fórum de Artes, Ciência e Cultura e uma feira de livros.

No Fórum de Artes, Ciência e Cultura os participantes têm acesso ao universo cultural da cadeia de criação e produção do livro, o que permite real interação entre os leitores e os artífices do livro – escritores, editores, livreiros e críticos. Além disso, o Fórum apresenta um significativo panorama da produção editorial do país.

Sempre é montado na feira um espaço infanto-juvenil onde são desenvolvidas atividades que estimule nos jovens leitores a curiosidade e o prazer pela leitura através de uma programação paralela ao evento principal. Essa programação paralela agrupa atrações para as crianças e é aí que entra a ação do LaDeh dentro da feira.

A relação entre os três temas Leitura/Monteiro Lobato/Ecologia era óbvia e a sua afinidade com o público da programação também. Assim, passamos a reflexão sobre essa “leitura” prioritariamente. Voltamos então ao referencial teórico de experiência narrativa a partir da obra de Walter Benjamin. Dentro de uma feira de livros, a noção de leitura atrelada ao objeto livro é natural, mas levando em conta o público-alvo (extremamente imerso em uma cultura audiovisual), o espaço da feira e os referenciais da pesquisa, ficava claro que a transmidiação seria um pressuposto fundamental. A obra de Monteiro Lobato já trazia em seu histórico a transmidiação, em função das diversas adaptações para os mais diferentes suportes.

A profusão de adaptações e a popularidade da obra de Monteiro Lobato também permitiram uma maior liberdade na organização das atividades, por que levava em conta o alto grau de familiaridade das crianças com o universo narrativo do autor, dispensando apresentações para alguns personagens extremamente populares. Nesse caso, a reminiscência de fatos ficcionais foi contemplada na estruturação de todo o projeto.  Elaboramos a proposta em cima do pressuposto do resgate das imagens já difundias sobre os personagens mais significativos de sua obra.

A idéia de se estimular uma ‘experiência narrativa’ mais ampla se tornou também fundamental ao contexto da feira, onde o grau de dispersão do local demandava uma leitura de outra ordem que não a de uma biblioteca ou uma sala de exibição, por exemplo.  Traçamos então como objetivo colocar a criança em contato com a experiência subjetiva de narrar, mas sem nos deter em formatos padrões de consumo ou limites de suporte. Assim, foram logo de início excluídas a exibição não mediada de conteúdo audiovisual ou a contação de histórias performativas. 

O espaço infantil foi ambientado em uma tenda situada ao lado dos corredores de estandes de livros onde foram realizadas oficinas das 9h às 18h, no jardim do Museu da República. Os ruídos da rua do Catete somados a passagem dos freqüentadores e os anúncios da feira divulgados por enormes caixas de som configuravam um ambiente altamente dispersivo. As crianças que participaram das oficinas vinham das escolas do bairro ou acompanhada pelos pais atraídos pelo evento.

Nesse caso, a distensão do tempo que leva à experiência precisaria de atividades mais interativas e dinâmicas para que um maior tempo de contato entre a obra e a criança fosse alcançado.

Além desse contato com a obra de Monteiro Lobato, a ecologia seria destacada na adoção de dois partidos principais. O primeiro é a utilização de atividades que envolvessem a reciclagem de objetos e, a partir da própria noção de reciclagem, criar uma ponte com a obra de Monteiro e seus objetos infantis reciclados mais conhecidos (Visconde de Sabugosa e Emília), buscando o exercício da reminiscência desse aspecto especificamente.

O segundo partido foi o recorte particular que diz respeito à ecologia como compreensão de uma dimensão quantitativa e de difícil comunicação para o público infantil. Além de visualizar riscos, possibilidades e alternativas para ecologia, os dados numéricos podem influir diretamente na compreensão dos problemas que envolvem o meio-ambiente. A experiência narrativa como uma aliada na recepção dessas informações estatísticas gerou ações que inclui informações objetivas sobre ecologia e que serão mais detalhadamente apresentadas no artigo em ‘Publicações’.

Tendo em vistas essas premissas a programação do evento foi planejada em cima das seguintes ações:

1- Palestra sobre ecologia – 9h às 9h30 – Iniciava as atividades convidando as crianças a participar das oficinas e mostrava a importância do reaproveitamento de materiais para a preservação do meio ambiente, através da performance de atores integrada com o boneco de manipulação que encarna um personagem denominado ‘Pedrinho’ que utilizava desenhos, gráficos e tabelas como material de apoio.

2- Oficina de bonecos manipulados – 9h30 às 12h – utilizando materiais reciclados, as crianças montavam bonecos de manipulação (dedoche, vara, luva, etc.) tendo como base os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato.

3- Oficina de bonecos articulados – 13h às 16h – também utilizando materiais reciclados, as crianças montavam bonecos articulados que seriam utilizados na próxima oficina, a de animação.

4- Oficina de animação – 16h às 18h – utilizando os bonecos feitos na oficina de bonecos articulados, as crianças criavam um pequeno filme de animação utilizando a técnica stop motion, na qual o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, ou seja, quadro a quadro. Entre um fotograma e outro, o animador muda um pouco a posição dos objetos. Quando o filme é projetado a 24 fotogramas por segundo, temos a ilusão de que os objetos estão se movimentando.

Embora as atividades tenham sido interligadas permitindo que uma mesma criança participasse de várias delas e ver seus desdobramentos, o projeto contemplou também a participação das crianças em apenas uma das atividades, sem prejuízos para a produção. Isso permitiu que algumas crianças utilizassem o material produzido por outras crianças que já haviam participado de outras oficinas, expondo o conceito de intercâmbio de experiência.  Essa organização fez que no contexto de dispersão da feira a criança pudesse vivenciar um contato com a obra de Monteiro através dos bonecos, fosse na sua confecção, fosse na sua manipulação para gerar animação ou ainda assistindo a palestra expositiva.

FICHA TÉCNICA

Pesquisadores 

Nilton G. Gamba Jr; PhD; PUC-Rio

Ana Claudia Sodré; Mestranda; PUC-Rio

Eliane Garcia; Mestranda; PUC-Rio

Produtor: Cláudio Bittencourt

Documentação : Eliane Garcia, Julio Gadelha

Oficina de animação : NADA

Oficina de bonecos:

 

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